
EXPERIÊNCIAS
Espaços para escutar, experimentar, criar e encontrar — dentro, com e na música.
Nem todo encontro precisa começar por um processo clínico. Há momentos em que podemos simplesmente criar condições para que pessoas se encontrem com sua musicalidade, experimentem outras formas de escuta, descubram possibilidades criativas e participem da construção de algo que ainda não existia antes daquele encontro. É desse território que nascem as Experiências do Centro de Musicoterapia de Santos.
Oficinas, vivências, laboratórios, encontros e outras proposições que atravessam música, corpo, escuta, movimento, improvisação, palavra, silêncio, jogo e criação.
Entre Musicoterapia, arte e experiência
As Experiências são desenvolvidas a partir das pesquisas e práticas que atravessam o CMTS e podem estabelecer diálogos com a Musicoterapia, a música, as artes e diferentes processos de desenvolvimento humano. Não são necessariamente processos clínicos de Musicoterapia. São espaços de experimentação nos quais conhecimentos e sensibilidades construídos nesses campos podem contribuir para criar outras maneiras de estar consigo, com outras pessoas e com o mundo. Não é preciso saber tocar. Não é preciso cantar. Não é preciso considerar-se uma pessoa criativa. É preciso apenas haver espaço para experimentar.
Um espaço para experimentar
Experimentar é diferente de executar algo que já sabemos como deve terminar. Quando entramos em uma experiência, existe uma proposta, um contexto e algumas condições que orientam o encontro — mas existe também espaço para aquilo que ainda não conhecemos. Uma resposta inesperada. Uma escolha. Um encontro. Uma descoberta. Uma maneira diferente de fazer aquilo que parecia conhecido. É nesse sentido que pensamos as Experiências do CMTS.
Não é preciso chegar sabendo
Muitas vezes, diante de uma proposta artística, carregamos uma pergunta silenciosa: “Será que eu sei fazer isso?”
Se vamos cantar, pensamos se sabemos cantar. Se vamos tocar, pensamos se sabemos tocar. Se vamos criar, pensamos se somos criativos. Aqui, buscamos deslocar essa pergunta. Em vez de: “Eu sei fazer?” podemos experimentar perguntar: “O que acontece se eu fizer?” Esse pequeno deslocamento modifica profundamente a experiência. A atenção deixa de estar somente naquilo que conseguimos realizar e passa também para aquilo que percebemos enquanto estamos realizando.
O processo antes do resultado
Nas Experiências do CMTS, não é necessário produzir uma obra, aprender uma técnica ou chegar a um resultado determinado para que algo significativo tenha acontecido. Podemos criar uma música que existirá somente naquele instante. Inventar um movimento que nunca será repetido. Escutar um som cotidiano como se fosse a primeira vez. Encontrar outra pessoa em uma improvisação. Escrever uma frase. Permanecer em silêncio.
Mudar de ideia. Começar novamente. O acontecimento também pode ser a própria experiência.
Um campo aberto, não um espaço sem direção
Experimentar não significa simplesmente fazer qualquer coisa. Cada proposta possui uma estrutura, uma intenção e um campo de investigação. Há alguém conduzindo o encontro, criando condições, propondo experiências, percebendo movimentos do grupo e modificando caminhos quando necessário. Mas a condução não precisa determinar antecipadamente aquilo que cada pessoa deverá encontrar. Criamos uma estrutura suficientemente sustentada para que algo possa acontecer — e suficientemente aberta para que aquilo que acontece também possa transformar a estrutura. É nesse espaço entre sustentação e abertura que a experiência começa a ganhar vida.
Escuta, presença, relação e criatividade
Cada Experiência do CMTS pode assumir uma forma diferente. Algumas começam pela música. Outras pelo corpo, pela palavra, pelo movimento, pelo silêncio, por uma pergunta ou por uma situação de encontro.
Mas existem alguns territórios que atravessam muitas dessas propostas: escuta, presença, relação e criatividade. Não como etapas que precisam acontecer em determinada ordem, mas como dimensões que podem se encontrar, misturar e transformar umas às outras ao longo da experiência.
Escuta
Escutar é mais do que ouvir. É criar disponibilidade para perceber aquilo que acontece — em nós, no outro e no espaço que estamos construindo juntos. Podemos escutar um som, um silêncio, um movimento, uma respiração, uma palavra, uma mudança de ritmo ou aquilo que ainda parece não ter encontrado uma forma. Escutar é uma maneira de aproximar-se da experiência.
Presença
Estar presente não significa apenas ocupar o mesmo espaço. Presença envolve disponibilidade para aquilo que está acontecendo agora. Perceber. Esperar. Responder. Mudar de direção. Sustentar aquilo que precisa de tempo.
Nas Experiências, buscamos criar condições para uma presença efetiva e afetiva: estar realmente no encontro e permitir-se afetar por aquilo que ele produz.
Relação
Uma experiência nunca acontece inteiramente sozinha. Mesmo quando estamos voltados para nós mesmos, há um espaço, uma proposta, materiais, sons, memórias, outras pessoas e um mundo com os quais estamos nos relacionando. Criar junto exige perceber que aquilo que fazemos modifica o campo — e que aquilo que o outro faz também pode nos modificar. Às vezes, relacionar-se é acompanhar. Às vezes, propor. Às vezes, responder. Às vezes, abrir espaço. O encontro também é uma forma de criação.
Criatividade
Criatividade não pertence apenas aos artistas. Ela pode aparecer sempre que experimentamos uma possibilidade que ainda não estava pronta. Inventar, improvisar, escolher, combinar, transformar, responder, imaginar, começar novamente.
Nas Experiências do CMTS, interessa menos perguntar “o que você consegue produzir?” e mais investigar:
“O que você pode descobrir enquanto cria?” Criatividade pode ser criação de sons, imagens, movimentos, palavras e narrativas. Mas pode ser também criação de relações, de possibilidades e de modos de estar no mundo.
Um território em movimento
Escutamos para perceber. Estamos presentes para participar. Entramos em relação para construir algo que não faríamos sozinhos. Criamos para experimentar aquilo que ainda pode acontecer. E então voltamos a escutar.
Não há necessariamente um começo ou um fim. Há um movimento.
Modos de experiência
Uma experiência pode precisar de algumas horas, de um único encontro ou de um percurso construído ao longo do tempo. Pode acontecer com um pequeno grupo, reunir muitas pessoas, ocupar uma sala, um espaço cultural, uma instituição ou até mesmo um ambiente aberto.
Por isso, as propostas do CMTS podem assumir diferentes formatos. O formato muda de acordo com aquilo que queremos investigar e com as pessoas, os espaços e os contextos que participam da experiência.
Laboratórios
Um laboratório é um espaço de investigação. Partimos de uma pergunta, de um território ou de uma proposição e criamos condições para explorá-los através da música, da escuta, do corpo, da palavra, do movimento, da improvisação e de outras linguagens. Não buscamos comprovar uma resposta previamente conhecida.
Investigamos fazendo.
Um laboratório pode acontecer em um único encontro ou tornar-se um percurso continuado, permitindo que determinadas questões sejam revisitadas, aprofundadas e transformadas ao longo do tempo. É nesse território que se encontra, por exemplo, o Laboratório de Escuta e Criatividade.
Oficinas
As oficinas partem de um campo de experiência mais delimitado. Podemos investigar criatividade, musicalidade, improvisação, escuta, memória, corpo, envelhecimento, criação coletiva ou outros temas através de propostas organizadas especialmente para cada contexto. Há uma estrutura e um eixo de trabalho, mas não necessariamente um resultado que todas as pessoas precisam alcançar. A oficina oferece uma proposta comum para que cada participante possa construir uma experiência singular.
Vivências
As vivências privilegiam a experiência direta. Menos explicar para depois experimentar e mais experimentar para então perceber aquilo que a própria experiência pode revelar. Podem envolver música, escuta, movimento, respiração, silêncio, improvisação e situações de encontro. Uma vivência pode ser breve e ainda assim produzir uma experiência significativa. Por isso, esse formato pode integrar eventos, encontros de saúde e bem-estar, ações culturais, congressos, jornadas, formações e diferentes contextos institucionais.
Encontros
Algumas propostas não precisam ser definidas por uma técnica ou linguagem específica. Precisam, antes, de um espaço para que pessoas possam estar juntas em torno de uma experiência, uma pergunta ou um tema. Os encontros podem reunir conversa, música, escuta, práticas compartilhadas, experimentações e participação do público. Rodas de conversa e encontros abertos podem assumir esse formato, como acontece em diferentes ações de Musicoterapia para todas as pessoas.
Formatos que podem se transformar
Essas categorias não funcionam como fronteiras rígidas. Uma oficina pode incorporar uma vivência. Uma palestra pode abrir espaço para experimentação. Um encontro pode ganhar características de laboratório. Um laboratório pode gerar novas oficinas. O mais importante não é encaixar uma proposta em um formato previamente estabelecido. É encontrar a forma que melhor sustenta a experiência que queremos construir.
Experiências em destaque
As Experiências do CMTS nascem de perguntas que atravessam nossa prática, pesquisa e criação. Algumas tornam-se laboratórios. Outras, oficinas, percursos, caminhadas ou encontros. Cada uma propõe uma maneira diferente de investigar a musicalidade, a escuta, a presença, a criatividade e as relações que construímos conosco, com outras pessoas e com o mundo.
Laboratório de Escuta e Criatividade
E se criatividade não fosse apenas produzir alguma coisa? Um espaço de experimentação em que música, corpo, palavra, movimento, improvisação, jogo e outras linguagens se encontram para investigar criatividade como experiência, relação e criação de si.
O Laboratório parte da escuta e da presença para criar situações nas quais cada participante possa experimentar, escolher, responder, transformar e descobrir possibilidades que ainda não estavam prontas. Mais do que uma oficina de criatividade, é um território para investigar a arte do encontro — consigo, com o outro e com o mundo.
Conheça o Laboratório →
Caminhar a Escuta
Paisagens externas e internas que nos habitam. O que acontece quando diminuímos o passo e começamos a escutar a cidade? Caminhar a Escuta é uma experiência criada a partir do encontro entre caminhada, escuta, paisagem sonora, corpo e saúde, convidando os participantes a percorrer um território com atenção às diferentes formas pelas quais o mundo nos atravessa.
Sons próximos e distantes. Vozes. Motores. Pássaros. Passos. Vento. Água. Arquiteturas. Ritmos. Silêncios. Mas não escutamos apenas aquilo que está fora. Enquanto caminhamos por uma paisagem, outras paisagens também podem começar a aparecer dentro de nós: memórias, sensações, pensamentos, afetos, tensões, movimentos corporais e maneiras particulares de perceber aquilo que nos cerca.
A caminhada torna-se, assim, uma prática de atenção e investigação. Como o mundo soa para mim? O que meu corpo percebe enquanto caminho? Quais sons me aproximam ou me afastam? O que altera meu ritmo? O que me produz presença? Que paisagens externas encontram as paisagens que me habitam?
A proposta cria pontes entre percepção sonora, corpo, vida psíquica, afetos e modos de relação com o ambiente, abrindo caminhos para pensarmos a saúde de maneira integral. Não caminhamos apenas para chegar a algum lugar. Caminhamos para perceber o que acontece conosco enquanto atravessamos o mundo — e enquanto o mundo nos atravessa.
Conheça Caminhar a Escuta →
Paisagens de Si
Que paisagens nos constituem? Paisagens de Si é uma experiência de investigação das imagens, sons, memórias, afetos, histórias e sensibilidades que participam daquilo que somos e dos modos como percebemos o mundo.
Através da música, da escuta, da palavra, da criação e de outras linguagens, cada participante é convidado a aproximar-se de suas próprias paisagens — não para produzir um retrato definitivo de si, mas para perceber territórios internos em movimento.
Há lugares que permanecem em nós. Há sons que carregamos. Há experiências que modificaram nossa maneira de perceber. E há paisagens que ainda podemos criar.
Conheça Paisagens de Si →
Autobiografia Sonora
Se a sua vida pudesse ser escutada, como ela soaria? Nossa história não é feita apenas de acontecimentos.
Existem vozes, canções, ruídos, silêncios, lugares, instrumentos, festas, pessoas e paisagens sonoras que atravessam diferentes momentos de uma vida.
Autobiografia Sonora é uma experiência de investigação da própria trajetória através da escuta e da memória musical e sonora. Mais do que construir uma lista de músicas importantes, a proposta convida cada participante a perceber como determinados sons participam de sua história e quais relações, afetos, lugares e modos de existir eles podem tornar novamente presentes.
Escutar a própria história pode ser também uma maneira de descobrir aquilo que permanece, aquilo que se transformou e aquilo que ainda continua sendo escrito.
Conheça Autobiografia Sonora →
Repertório de Sensibilidades
As diferentes Experiências do CMTS são atravessadas por uma investigação que Rafael Palmieri vem desenvolvendo em sua prática artística, clínica e de pesquisa: o conceito de Repertório de Sensibilidades.
Ao longo da vida, construímos repertórios. Mas não apenas repertórios de músicas, palavras, conhecimentos ou habilidades. Construímos também maneiras de perceber. Modos de escutar. De olhar. De tocar e ser tocado. De perceber o corpo. De reconhecer ritmos. De aproximar-se e afastar-se. De permanecer diante do silêncio.
De perceber o outro. De responder ao mundo.
Chamamos de Repertório de Sensibilidades esse conjunto vivo e em transformação de modos pelos quais uma pessoa pode perceber, ser afetada, produzir sentidos e entrar em relação consigo, com outras pessoas e com aquilo que a cerca. Esse repertório não está pronto. Pode ser ampliado.
Uma experiência pode nos apresentar uma maneira de escutar que ainda não conhecíamos. Uma caminhada pode modificar nossa percepção de um lugar pelo qual passamos todos os dias. Um som pode tornar perceptível uma sensação. Uma improvisação pode revelar outra maneira de responder. Um encontro pode nos fazer perceber algo que antes não conseguíamos perceber. Nesse sentido, ampliar nosso Repertório de Sensibilidades não significa acumular experiências, mas ampliar as maneiras pelas quais somos capazes de entrar em relação com a experiência. Talvez cuidar também possa significar isso: preservar e ampliar nossa capacidade de perceber, de ser afetados e de responder à vida.
Para pessoas, grupos e instituições
As Experiências do CMTS podem acontecer de diferentes maneiras. Algumas são criadas como encontros abertos ao público, reunindo pessoas interessadas em experimentar territórios como escuta, musicalidade, criatividade, corpo, memória, presença e relação.
Outras podem nascer do encontro com um grupo, uma instituição, um espaço cultural ou um território específico. Porque uma experiência não precisa apenas ser levada para algum lugar. Ela também pode ser criada a partir daquele lugar.
Experiências abertas
Ao longo do ano, o CMTS realiza oficinas, laboratórios, vivências, caminhadas e encontros abertos à participação.
São oportunidades para aproximar-se das propostas do Centro sem que seja necessário estar em acompanhamento clínico ou possuir qualquer experiência musical ou artística anterior. Cada encontro possui sua própria duração, formato, número de participantes e campo de investigação.
Experiências para grupos
Uma experiência também pode ser desenvolvida para um grupo específico. Crianças, pessoas jovens, adultas, idosas, famílias, cuidadores, educadores, equipes de trabalho, comunidades e grupos constituídos em diferentes contextos.
A proposta pode partir de questões como escuta, criatividade, musicalidade, memória, relações, corpo, envelhecimento, presença, saúde e desenvolvimento humano.
Mais do que adaptar uma atividade pronta para diferentes públicos, buscamos compreender quem são as pessoas que participarão e que experiência pode fazer sentido naquele contexto.
Experiências em instituições
Espaços culturais, instituições de saúde, organizações sociais, equipamentos voltados ao envelhecimento, espaços educativos, empresas e outros contextos podem receber ou construir experiências em parceria com o CMTS.
Uma caminhada de escuta pode investigar as relações com determinado território. Uma experiência de Autobiografia Sonora pode trabalhar memória e histórias de vida com pessoas idosas. Paisagens de Si pode transformar-se em um percurso de vários encontros.
Um Laboratório de Escuta e Criatividade pode ser desenvolvido para uma equipe ou comunidade. Cada proposta pode assumir diferentes configurações de acordo com o espaço, o tempo disponível, o número de participantes e as questões que mobilizam aquele contexto.
Experiências situadas
Chamamos atenção para uma dimensão especialmente importante desse trabalho: o contexto também participa da experiência. Uma mesma proposta não acontece da mesma maneira em um museu, em um parque, em um espaço de saúde, em uma instituição para pessoas idosas ou em uma praça.
Cada lugar possui seus ritmos, histórias, sons, relações e modos de ser habitado. Por isso, podemos criar experiências que dialoguem diretamente com os territórios onde acontecem — escutando suas características e permitindo que o próprio espaço participe daquilo que será vivido.
Há coisas que só podemos descobrir experimentando
Podemos falar sobre escuta. Podemos pensar sobre criatividade. Podemos estudar a música, o corpo, a presença, a relação e as diferentes maneiras pelas quais percebemos o mundo. Mas há uma dimensão da experiência que só se torna conhecida quando nos permitimos atravessá-la.
Quando caminhamos. Quando escutamos. Quando produzimos um som. Quando encontramos outra pessoa.
Quando improvisamos sem saber exatamente o que acontecerá depois. Quando percebemos alguma coisa que sempre esteve ali — mas que, até aquele momento, ainda não havíamos percebido.
Talvez seja justamente isso que uma experiência possa abrir: a possibilidade de perceber algo que antes não fazia parte do nosso Repertório de Sensibilidades. Não necessariamente para chegar a algum lugar. Não necessariamente para produzir alguma coisa. Mas para ampliar as maneiras pelas quais podemos escutar, perceber, criar, relacionar-nos e participar daquilo que nos acontece. Porque algumas descobertas não começam com uma resposta. Começam quando encontramos condições para experimentar. O que ainda podemos descobrir?