
Enfoque clínico
Cómo funciona CMTS y por qué
A música atravessa a experiência humana de muitas maneiras. Está na voz, no ritmo, no movimento, na respiração, na escuta, no silêncio e nas formas como nos relacionamos conosco, com outras pessoas e com o mundo.
Partimos da compreensão de que a musicalidade é uma dimensão humana — e que não é preciso ser músico, saber tocar um instrumento ou possuir qualquer conhecimento musical para vivê-la.
Musicoterapia para todas as pessoas nasce desse ponto de partida: da possibilidade de ampliar os modos de compreender e experimentar a Musicoterapia, reconhecendo-a como um campo de cuidado, relação, criação e desenvolvimento humano ao longo de toda a vida.
Um convite para descobrir o que pode acontecer quando nos permitimos estar dentro, com e na música.
Cómo funciona CMTS y por qué
Antes de aprendermos uma canção, já experimentamos ritmos. Antes de tocarmos um instrumento, já produzimos sons. Antes mesmo de compreendermos as palavras, reconhecemos vozes, intensidades, pausas, repetições e diferentes maneiras de estar em relação.
A musicalidade não começa quando aprendemos música. Ela participa da maneira como existimos e nos relacionamos.
Está no ritmo da respiração, nas modulações da voz, nos movimentos do corpo, nas diferentes qualidades do silêncio, na capacidade de escutar e responder, de perceber o outro e de encontrar modos de estar juntos no tempo.
Por isso, quando falamos em musicalidade humana, não estamos falando apenas de talento, habilidade ou conhecimento musical. Falamos de uma capacidade que pode se manifestar de muitas maneiras e acompanhar uma pessoa ao longo de toda a vida.
Na Musicoterapia, essa musicalidade pode encontrar um espaço para ser escutada, experimentada, compartilhada e transformada.
Não é preciso tocar bem.
Não é preciso cantar afinado.
Não é preciso conhecer música.
É preciso apenas poder estar na experiência.
Cómo funciona CMTS y por qué
Durante muito tempo, a Musicoterapia tornou-se mais conhecida por sua atuação junto a pessoas com diagnósticos específicos, condições de saúde, deficiências ou necessidades terapêuticas determinadas. Esses campos são fundamentais e continuam sendo parte importante de sua prática.
Mas a Musicoterapia não precisa existir apenas quando algo adoece, falta ou precisa ser reabilitado. Uma pessoa também pode encontrar na experiência musicoterapêutica um espaço para ampliar sua escuta, experimentar outras formas de expressão, investigar sua criatividade, perceber seus próprios modos de relação ou atravessar momentos de mudança e transformação.
Pode procurar a Musicoterapia não apenas a partir de uma dificuldade, mas também a partir de uma possibilidade.
É nesse sentido que dizemos Musicoterapia para todas as pessoas.
Não porque todas as pessoas precisem fazer Musicoterapia, nem porque todas vivam a música da mesma maneira, mas porque entendemos que sua experiência não precisa estar condicionada a um diagnóstico, a uma habilidade musical ou a uma determinada condição de vida.
Crianças, jovens, adultos e pessoas idosas podem encontrar diferentes maneiras de estar dentro, com e na música.
“Para todas as pessoas” é, antes de tudo, um convite para ampliar possibilidades.
Cómo funciona CMTS y por qué
A música pode ser mais do que algo que escutamos ou produzimos. Ela pode tornar-se um lugar de experiência.
Na Musicoterapia, não estamos apenas diante da música. Podemos entrar em relação com ela, perceber o que acontece enquanto a experiência musical se desenvolve e descobrir outras maneiras de escutar, responder, criar e estar presentes.
Dentro da música
Estar dentro da música é permitir-se habitar a experiência enquanto ela acontece.
Um som conduz a outro. Um ritmo encontra um corpo. Uma pausa modifica aquilo que vinha acontecendo. Algo inesperado surge e nos convida a responder.
Não observamos apenas a música de fora: participamos do seu acontecer.
Com a música
A música não precisa ocupar o lugar de fundo, recurso ou ferramenta.
Podemos estar com ela.
Escutá-la, acompanhá-la, transformá-la e também permitir que aquilo que acontece musicalmente transforme os caminhos da experiência.
A música torna-se companheira do processo e parte ativa daquilo que se constrói no encontro.
Na música
Há coisas que podem acontecer justamente na experiência musical.
Uma relação pode se estabelecer.
Uma comunicação pode encontrar outra forma.
Um silêncio pode ganhar sentido.
Uma escolha pode surgir.
Algo novo pode ser criado.
É nesse espaço que musicoterapeuta e participante podem escutar e responder um ao outro, construindo juntos uma experiência que não estava inteiramente determinada antes de acontecer.
Dentro, com e na música é uma maneira de compreender a Musicoterapia como experiência viva: um campo em que música, pessoa e relação se transformam mutuamente enquanto o encontro acontece.
Cómo funciona CMTS y por qué
Uma música pode ser tocada. Pode ser cantada, escutada, lembrada ou compartilhada. Mas ela também pode ser um modo de entrar em relação.
Na Musicoterapia, nem sempre o mais importante está na música que conseguimos produzir, mas naquilo que começa a acontecer entre as pessoas enquanto produzimos, escutamos e respondemos musicalmente umas às outras.
Um som pode ser um convite. Outro som pode ser uma resposta. Uma pausa pode abrir espaço. Um ritmo pode aproximar. Uma mudança pode transformar os caminhos do encontro. A música deixa, então, de ser apenas aquilo que fazemos para tornar-se também o lugar onde algo entre nós pode acontecer.
Música-relacional
É a partir dessa compreensão que Rafael Palmieri vem desenvolvendo, em sua prática e pesquisa no Centro de Musicoterapia de Santos, o conceito de música-relacional.
A música-relacional propõe um deslocamento: do centro da execução para o campo da relação. Mais do que perguntar “que música estamos fazendo?”, interessa perceber: o que está acontecendo entre nós enquanto fazemos música?
Nesse deslocamento, a música não é compreendida apenas como obra, repertório, recurso ou objeto sonoro. Ela pode constituir um campo vivo de interação, no qual cada gesto musical modifica aquilo que está acontecendo e cria novas possibilidades de resposta.
Não se trata apenas de tocar juntos. Trata-se de escutar o que o outro faz com aquilo que oferecemos — e perceber o que fazemos com aquilo que o outro nos oferece. Som, silêncio, ritmo, pausa, repetição, mudança, aproximação, distância, sustentação e surpresa passam a participar da construção da própria relação. A experiência não está inteiramente determinada antes de começar. Ela se constitui no encontro. A música acontece enquanto a relação acontece.
É nesse território que a música-relacional vem sendo investigada: como uma maneira de compreender a experiência musical não somente pelo que produzimos, mas pelas relações, transformações e possibilidades de existência que podem emergir enquanto estamos juntos na música.
Cómo funciona CMTS y por qué
Para que algo possa acontecer entre duas pessoas, não basta apenas estarem no mesmo lugar. É preciso haver presença. Na Musicoterapia, estar presente não significa apenas estar fisicamente diante do outro. Significa construir uma disponibilidade para perceber aquilo que acontece no encontro: um som, um movimento, uma mudança na respiração, uma aproximação, um silêncio, uma hesitação, um gesto que surge quase imperceptivelmente. É nesse sentido que compreendemos a escuta como uma maneira de estar.
Escutar não é apenas ouvir. Escutar é sustentar atenção. É perceber. É permitir-se afetar pelo que acontece e, ao mesmo tempo, encontrar uma maneira de responder. Na experiência musical, essa escuta pode atravessar todo o corpo. Escutamos sons, mas também ritmos, movimentos, pausas, intensidades, respirações, distâncias e aproximações. Escutamos aquilo que aparece e também aquilo que precisa de tempo para poder aparecer.
Presença efetiva e afetiva
No CMTS, temos investigado a presença como uma experiência ao mesmo tempo efetiva e afetiva. Efetiva, porque implica estar realmente disponível para aquilo que está acontecendo aqui e agora. Afetiva, porque todo encontro envolve a possibilidade de afetar e ser afetado — de permitir que aquilo que o outro apresenta encontre ressonância e participe da construção da experiência.
Presença, portanto, não significa ocupar todo o espaço. Às vezes, estar presente é tocar. Às vezes, é responder.
Às vezes, é acompanhar. Às vezes, é esperar. Às vezes, é sustentar o silêncio. A escuta nos ajuda a perceber o que o encontro pede de nós naquele momento. É dessa disponibilidade que pode nascer algo que não estava previsto: uma resposta, uma descoberta, uma comunicação, uma criação ou simplesmente uma nova maneira de permanecer juntos. Talvez o encontro comece justamente quando deixamos de apenas estar diante do outro e passamos a estar verdadeiramente com ele.
Cómo funciona CMTS y por qué
Criar não significa apenas produzir alguma coisa. Uma obra, uma canção, um desenho ou uma história podem nascer de um processo criativo, mas a criatividade também pode acontecer em movimentos muito menores: experimentar uma possibilidade, fazer uma escolha, responder de uma maneira diferente, transformar aquilo que já existe ou permitir que algo inesperado aconteça. Na experiência musicoterapêutica, criar pode começar com um único som. Esse som encontra outro. Uma resposta aparece. Um caminho começa a se formar. Algo que não existia antes passa a existir porque alguém participou de seu surgimento.
É nesse sentido que a criatividade pode ser compreendida também como uma potência de existir.
Não apenas como capacidade de produzir algo novo, mas como possibilidade de participar ativamente daquilo que está acontecendo, perceber alternativas, experimentar caminhos e descobrir outros modos de estar consigo, com o outro e com o mundo.
Improvisar também é existir no que ainda não está pronto
A improvisação ocupa um lugar importante nessa compreensão. Quando improvisamos, não sabemos inteiramente o que acontecerá depois. Precisamos escutar aquilo que existe, responder ao presente e, ao mesmo tempo, participar da criação do próximo instante. Há algo profundamente humano nesse movimento. A vida também não nos chega inteiramente escrita. Estamos continuamente encontrando acontecimentos, pessoas, limites, mudanças e possibilidades diante dos quais precisamos construir respostas. Por isso, a experiência criativa pode ultrapassar aquilo que convencionalmente chamamos de arte. Criatividade pode ser também criação de si.
Não no sentido de inventarmos quem somos a partir do nada, mas de reconhecermos que permanecemos em movimento — afetando e sendo afetados, encontrando possibilidades e participando da construção dos modos como existimos. Na Musicoterapia, a música pode oferecer um território especialmente fértil para essa experiência. Um lugar onde podemos experimentar sem precisar saber previamente onde chegaremos.
Onde podemos repetir e transformar. Escolher e mudar. Propor e responder. Sustentar e interromper. Encontrar o outro e também encontrar algo de nós mesmos. Criar é fazer existir uma possibilidade que, até aquele momento, ainda não havia acontecido.
Cómo funciona CMTS y por qué
Em que momento da vida deixamos de imaginar alguém como uma pessoa capaz de descobrir alguma coisa pela primeira vez?
Associamos facilmente a infância à descoberta, à curiosidade, à experimentação e ao começo. À medida que a vida avança, porém, muitas vezes passamos a olhar para uma pessoa principalmente a partir daquilo que ela já viveu, aprendeu ou construiu. Mas uma vida não é feita somente daquilo que já aconteceu. Ainda existem coisas que nunca aconteceram.
Uma criança pode descobrir uma nova maneira de produzir um som. Um jovem pode encontrar outras formas de expressar aquilo que vive. Uma pessoa adulta pode experimentar modos diferentes de escutar a si mesma e de entrar em relação. Uma pessoa idosa pode tocar um instrumento pela primeira vez, improvisar, inventar um ritmo ou surpreender-se com algo que não sabia que poderia criar.
Em cada momento da vida, a experiência será diferente. As necessidades mudam. Os corpos mudam. Os modos de perceber e de se relacionar mudam. Os contextos e as histórias também. Por isso, Musicoterapia para todas as pessoas não significa uma mesma Musicoterapia para todas as pessoas. Significa reconhecer a singularidade de cada encontro e construir experiências capazes de dialogar com aquela pessoa, naquele momento de sua vida.
O direito de experimentar e começar
Desenvolvimento humano não precisa ser compreendido apenas como aquisição de habilidades ou como algo que pertence às primeiras etapas da vida. Podemos continuar nos desenvolvendo também quando encontramos novas maneiras de perceber, escolher, responder, criar, relacionar-nos e atribuir sentidos às nossas experiências.
Nesse percurso, a música pode acompanhar diferentes momentos: os primeiros encontros com o mundo, as transformações da juventude, as questões da vida adulta, os processos de envelhecimento, as mudanças, as perdas, as descobertas e os recomeços.
Algumas experiências poderão cuidar. Outras poderão sustentar. Outras poderão desenvolver, reorganizar, expressar, criar ou simplesmente abrir espaço para que algo seja vivido. Porque nenhuma pessoa é apenas aquilo que já aconteceu com ela. Ao longo de toda a vida, permanece também o direito de experimentar, descobrir e começar.
Cómo funciona CMTS y por qué
Musicoterapia para todas as pessoas é um pensamento que se transforma em prática.
Pode acontecer em um processo clínico continuado, em uma experiência coletiva, em uma oficina, em um laboratório de criação, em uma palestra, em uma formação ou em um projeto construído junto a uma instituição.
Os formatos podem mudar, mas algumas perguntas permanecem:
Como estamos presentes?
O que podemos escutar?
Que relações podemos construir?
O que ainda podemos experimentar, descobrir e criar?
Clínica
Processos individuais e coletivos de Musicoterapia construídos a partir da singularidade de cada pessoa, de sua musicalidade, de suas necessidades e de suas possibilidades.
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Experiências
Oficinas, vivências, laboratórios e encontros que criam espaços de experimentação, escuta, presença, relação e criatividade.
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Palestras e Formações
Encontros para compartilhar pensamentos, práticas e experiências sobre Musicoterapia, musicalidade humana, escuta, criatividade, envelhecimento, cuidado e desenvolvimento humano.
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Instituições e Parcerias
Projetos desenvolvidos em diálogo com espaços de saúde, cultura, educação, cuidado, empresas e outras organizações, considerando as necessidades e singularidades de cada contexto.
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Diferentes formatos.
Diferentes contextos.
Diferentes pessoas.
Um mesmo compromisso com a possibilidade de estar dentro, com e na música.
Cómo funciona CMTS y por qué
Talvez ampliar o acesso à Musicoterapia comece por ampliar também os modos como podemos compreendê-la.
Não apenas como uma prática que encontramos diante do adoecimento, de um diagnóstico ou de uma necessidade específica, mas como um campo de experiência no qual podemos escutar, relacionar, criar, cuidar, descobrir e desenvolver possibilidades ao longo da vida.
Isso não significa que todas as pessoas precisem da mesma experiência. Significa reconhecer que diferentes pessoas, em diferentes momentos e contextos, podem encontrar na Musicoterapia diferentes maneiras de estar consigo, com o outro e com o mundo.
Musicoterapia para todas as pessoas é uma proposição em movimento.
Uma maneira de continuar investigando o que a musicalidade humana pode abrir quando encontramos espaço para experimentar. Uma prática que se constrói na singularidade de cada encontro. E um convite para aquilo que talvez ainda não tenha acontecido. Há sempre outras possibilidades de estar dentro, com e na música.
Vamos nos encontrar?